O caminho do Senhor

TERÇA-FEIRA, 01 DE DEZEMBRO DE 2015

 

 

Caros amigos, o tempo do Advento nos aproxima gradativamente da humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, a Encarnação é um mistério espantoso! Como é possível que Aquele que o universo inteiro não pode conter venha habitar na carne de nossa humanidade (Cfr. Jo 1, 14)? Jesus se fez homem e, assim, se uniu de algum modo a todo homem (Cfr. GS, 22). A partir de então, a humanidade de Jesus Cristo tornou-se o vínculo eterno da salvação de toda a criação.

Tertuliano, um escritor cristão do século III, para expressar este mistério, formulou a máxima teológica: “Caro salutis est cardo”, a carne é o eixo da salvação. O Catecismo nos ensina que: “‘Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade’ (Cl 2, 9). Sua humanidade aparece, assim, como ‘sacramento’, isto é, o sinal e o instrumento de sua divindade e da salvação que ele traz: o que havia de visível em sua vida terrestre apontava para o mistério invisível de sua filiação divina e de sua missão redentora” (n. 515).

A humanidade santíssima de Nosso Senhor é, portanto, sinal e instrumento de nossa salvação. Jesus o expressou de maneira mais simples quando disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).

Deste modo, o Tempo do Advento tem por objetivo nos aproximar deste caminho aberto por Deus. Ele não é somente o termo feliz de nossa jornada, o prêmio de uma existência santificada, mas, ao se fazer homem no seio da Santíssima Virgem, também se fez caminho alcançável pela Palavra e pelos Sacramentos, pela Tradição da Igreja e pela graça do Espírito Santo.

O cerne da vida cristã está nesta comunhão com Deus – comunhão com o Pai, por Cristo no Espírito Santo – que nos salva e, ao mesmo tempo, nos aproxima de modo limpo e puro dos nossos irmãos. Nosso Senhor também indicou de maneira mais simples este modo de vida: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento! Este é o maior e o primeiro mandamento. Ora, o segundo lhe é semelhante: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem destes dois mandamentos”. (Mt 22, 37-40)

Por Cristo e no Espírito Santo somos capazes de amar a Deus e ao próximo. Finalmente abriu-se o caminho para a plenitude de realização do coração humano! Quem diria que o princípio desta jornada estaria no insuspeitado nascimento de um menino em Belém? É tempo de nos prepararmos para receber Jesus e seguir seus passos.

 

Dom Edney Gouvêa Mattoso (Bispo Diocesano de Nova Friburgo)